Estamos a poucos dias de uma eleição importante para a vida de todos nós, individualmente e coletivamente. Observamos com preocupação que estão em jogo diferentes projetos de sociedade. Não concordamos com maniqueísmos, porque a vida é mais complexa do que as divisões entre bem e mal, contudo, há um dualismo inseparável e inquestionável com o qual nos deparamos agora:
A diferença entre a VIDA e a MORTE. Nisso, não há meio-termo. E a continuidade desse atual (des)governo significa risco de morte:
Morte da ciência: Não apenas ao propagar a uma irracional e permanente dúvida sobre a ciência, às instituições de produção científica e aos cientistas, o Brasil sofreu cortes orçamentários em programas de formação e nos próprios fomentos à produção científica, causando a chamada “fuga de cérebros” para outros países e inviabilizando grupos e laboratórios de pesquisa e desenvolvimento no país.
Morte da Educação Pública: cujas verbas foram cortadas em níveis alarmantes durante todos os últimos quatro anos, sufocando o funcionamento das Universidades e Institutos Federais, além de programas e remunerações. A situação da Educação no país é alarmante, sustentada muitas vezes pela perseverança e sacrifício de técnicos e docentes.
Morte da População: o mundo vivenciou um período crítico da pandemia de COVID-19 entre 2020 e 2021 e o Brasil sofreu a perda de mais de 700 mil pessoas, muitas delas enganadas sobre o perigo do vírus, confundidas com a promessa de um medicamento ineficaz e impedidas de ter acesso rápido à vacina, que se apresentou como a melhor solução para barrar o avanço da doença.
Morte da Cultura: ao cortar o fomento à cultura e hostilizar a legislação de apoio às manifestações culturais, houve uma crescente dificuldade para uma área essencial para a qualidade de vida da população. Das orquestras sinfônicas às artes de rua, os artistas e as artes, além do patrimônio material, tivemos retrocessos impensáveis há até poucos anos atrás.
Morte da Economia doméstica e popular - sem reajustar devidamente o salário mínimo e deixando a economia ao sabor da especulação financeira, a população amarga uma inflação que corrói sua capacidade de compra e vida digna, trazendo novamente a fome ao país, que hoje possui mais de 33 milhões de pessoas sofrendo por falta ou insuficiência de alimentos.
Morte Ecológica: destruição intencional, provocada e contínua do meio ambiente (ecocídio) - ao tolerar o desmatamento, o garimpo ilegal, a agressão aos povos originários e suas terras, o atual governo cria o um mórbido cenário de degradação do meio ambiente e aceleração dos graves problemas climáticos que a humanidade enfrenta.
Morte Civilizatória: ao propagar abusos sexuais aos animais (zoofilia), desejos de consumir carne humana (canibalismo), se gabar de ter atração sexual por menores de idade (pedofilia), desprezar e ter repulsa por pobre (aporofobia), ojeriza a negros (racismo), mulheres (misogenia), LGBTQIA+ (homofobia, transfobia, LGBT-fobia), nordestinos, africanos, aos povos originários. Minimizar o sofrimento pela fome. Usar símbolos e linguagem nazista e da supremacia branca. Ao desprezar e atacar a liberdade religiosa. Ao saudar e reverenciar torturadores.
Morte da Ética: ao retirar verbas de áreas como saúde, segurança e Educação para enviar diretamente a parlamentares sem seguir as regras de publicidade e transparênciao através do Bolsolão, também conhecido como orçamento secreto.
Não aceitamos que nosso país seja motivo de chacotas causadas pelos nossos próprios governantes. Não aceitamos que nossos avanços civilizatórios na conquista de direitos retrocedam.
Sabemos que não há um herói salvador para a situação social que vivemos. Heróis são construções fictícias para entorpecer o imaginário dos incautos. A mudança social acontece pela luta de movimentos sociais, pela luta de pessoas que criticam, que questionam e que colaboram para fortalecer o que é público. O que é de todos!
Sabemos que para seguirmos estas batalhas precisamos ter sob nós a fundação forte que os direitos humanos e civis nos garantem.
Diante disso, é nossa responsabilidade nos posicionarmos contra a continuidade desta política de morte. Mesmo reconhecendo os limites, os problemas, e as contradições que o sistema político partidário nos impõem, nosso voto é por aqueles que perderam a vida e que hoje não podem votar. Nosso voto é pelo anti-autoritarismo. Nosso voto é pela retomada democrática.
No dia 30 de outubro de 2022, não votaremos em um herói. Votaremos em um homem falível como todos os outros, mas que possui uma trajetória de lutas e de reconhecimento social. Nosso voto irá para o candidato Luis Inácio Lula da Silva, do partido dos Trabalhadores, que não haja dúvida: votaremos 13.
O RAUL HACKER CLUB